Notícias

Expectativa de vida dos brasileiros dobra após a introdução dos agrotóxicos

Expectativa de vida dos brasileiros dobra após a introdução dos agrotóxicos

Você certamente já ouviu dizer que o Brasil detém o inglório título de campeão mundial no uso de agrotóxicos, certo? O que provavelmente ninguém nunca te contou é que esta afirmação é totalmente subjetiva e descontextualizada da realidade. Se levarmos em consideração apenas as vendas totais, essa é realmente uma verdade inquestionável, mas facilmente explicada. No entanto, do ponto de vista da eficiência no uso, nossa agricultura está muito à frente de países mais tecnificados como Japão, França e Estados Unidos. “Não leve muita fé em uma média, um gráfico ou uma tendência quando dados importantes estiverem faltando”, já dizia Darrell Huff, autor do clássico livro How to Lie with Statistics (Como mentir com estatísticas), em 1954.

Vamos aos fatos. Em 2009, de fato, o Brasil desbancou os Estados Unidos e assumiu a liderança mundial em vendas de defensivos agrícolas, posição que ocupa até hoje — de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), o setor fechou o ano de 2016 com um faturamento de US$ 9,56 bilhões no país. Os fungicidas, com 33% do mercado, são os produtos mais utilizados pelos agricultores brasileiros, seguidos de perto pelos herbicidas (32,5%) e inseticidas (29%).

A liderança brasileira em volume é explicada pelo clima tropical, que se por um lado permite o plantio nas quatro estações e a colheita de até três safras anuais, por outro é muito mais propício ao desenvolvimento das pragas. Com temperaturas elevadas, chuvas e comida disponível o ano todo, os invasores se multiplicam com facilidade. Os agroquímicos, portanto, são utilizados para frear o crescimento dessas populações e assim evitar danos maiores às lavouras. No hemisfério norte, a neve cobre o solo durante os meses de inverno, fazendo de forma natural boa parte do controle de pragas. Enquanto no Brasil a utilização de pesticidas é distribuída ao longo dos doze meses, nos Estados Unidos, por exemplo, concentra-se apenas nos meses quentes.

No que diz respeito à eficiência no uso dos agroquímicos, o Brasil está à frente de muitos países desenvolvidos. De acordo com um estudo realizado pela consultoria alemã Kleffmann, o Brasil produz 142 quilos de alimentos para cada dólar gasto com agroquímicos, contra 116kg na Argentina, 94kg nos Estados Unidos e 51kg na França. Já o Japão, país que possui uma área equivalente ao estado de Goiás e ocupa o quarto lugar em vendas totais de defensivos agrícolas, colhe apenas oito quilos de alimentos para cada dólar investido. Dito isso, pergunto ao nobre leitor: quem é mesmo o campeão mundial em uso de agrotóxicos, Brasil ou Japão?

Será que os agricultores japoneses não estão preocupados com a saúde da sua população e fazem uso indiscriminado de agrotóxicos de propósito — uma acusação recorrente aos agricultores brasileiros? É claro que não. Por terem pouca área disponível para o cultivo, precisam fazer da forma mais eficiente possível. Por lá, não existe espaço para perdas nas lavouras. Talvez por isso, os pesticidas não sejam vistos como um problema de saúde pública, mas sim como uma solução para garantir a segurança alimentar no país — o que também deveria ocorrer no Brasil, caso a ciência fosse levada a sério. Importante destacar que o Japão, campeão mundial no uso de agrotóxicos, é o país com a maior expectativa de vida e com os menores indices de câncer em todo o mundo. Em 2016, existiam 65 mil japoneses com mais de 100 anos de idade. Em 1963, antes dos agroquímicos, eram 153. Contraditório, não?

Nos últimos tempos, quando assistimos na televisão às notícias sobre os alimentos produzidos no Brasil, a impressão que se tem é a de que estamos diante de um envenenamento coletivo. Por mais que se tente fugir dos produtos industrializados, as frutas e verduras frescas também estariam contaminadas por agrotóxicos, oferecendo, assim, riscos à população. Para os críticos, estamos todos morrendo aos poucos — e os culpados, como sempre, são os agricultores. Trata-se de um discurso forte e hoje aceito por muita gente nos grandes centros urbanos, mas que felizmente (ou infelizmente, para os detratores) está bem distante da realidade.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida no país mais do que dobrou nos últimos cem anos. Até 1900, época em que o Brasil ainda era totalmente livre dos agrotóxicos, a esperança de vida ao nascer não chegava aos 34 anos. No início dos anos 1940, quando começaram a surgir por aqui os primeiros defensivos químicos desenvolvidos no pós-guerra, a expectativa de vida havia subido para 41,5 anos — média que seguiu crescendo nas décadas seguintes, apesar do uso cada vez maior de pesticidas nas lavouras. Em 1960, a média de vida dos brasileiros superou a marca dos 50 anos pela primeira vez na história, atingiu os 60 anos em 1980 e rompeu a casa dos 70 anos de idade em 2000. Em 2014 (último dado disponível), a expectativa de vida média no país, agora líder mundial em vendas de agrotóxicos, era de 75,4 anos.

O mesmo raciocínio vale para a taxa de mortalidade infantil. Se em 1940, quando a agricultura brasileira era totalmente orgânica, o Brasil registrava 150 mortes a cada mil crianças nascidas

vivas, hoje esse número é de apenas 14,4 — mesmo diante da suposta contaminação do leite materno por pesticidas proibidos no mundo todo, como bradam alguns “especialistas”. Evidentemente, o avanço em ambos os índices não tem nada a ver com o uso de pesticidas, mas sim com a melhoria do saneamento básico e da ampliação dos serviços de saúde no interior do país. Ainda assim, as estatísticas sugerem que a ingestão de resíduos de agroquímicos não tenha impactado de forma negativa a saúde da população brasileira.

Pense bem: são mais de cinquenta anos de uso intensivo desses insumos, e as pessoas seguem vivendo mais e melhor, tanto nas cidades quanto no campo. Produtos bem mais fortes foram usados no passado, porém até hoje nenhum caso de intoxicação por resíduos de pesticidas em alimentos foi registrado no Brasil. Hoje em dia, com a substituição de praguicidas mais tóxicos por similares menos agressivos e longamente testados, a possibilidade de uma eventual contaminação é praticamente inexistente. Mesmo assim, a sensação de insegurança em relação aos vegetais in natura só aumenta. Como isso é possível?

Simples: de acordo com Darrell Huff, é possível “torturar” os números de modo que eles apresentem algo que nem sempre é o fator mais relevante dentro de um contexto maior. Um jornal, por exemplo, poderia publicar tranquilamente uma reportagem com a manchete: “Expectativa de vida do brasileiro dobra após a introdução dos agrotóxicos”. Apesar de tendenciosa, a chamada não estaria incorreta, já que os dados do IBGE mostram isso. Tudo na vida é uma questão de ponto de vista.

 

Nicholas Vital - jornalista e autor do livro ‘Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo’, lançado em julho pela Editora Record.

ubm white

  Conectando pessoas e o mercado global

 

UBM: uma das maiores empresas do mundo em mídia de negócios

Nos mais de 30 países onde realiza seus eventos, a UBM constrói relacionamentos duradouros com especialistas e players do mercado e gera oportunidades que alavancam e fomentam o desenvolvimento da indústria local em âmbito global. Ler Mais

 

Filiada à     

 ubrafe branco

                             

                             UBM Brazil

                             Contato

                             Política de Privacidade

                             Mapa do Site

                             Login Diretório

                             Credenciamento

          

            

 

                              

  

Newsletter

Eu aceito receber comunicações da promotora e de parceiros.
Sim, li e concordo com a política de privacidade